TRIAGEM AUDITIVA NEONATAL-Minha paixão

Sempre fui completamente apaixonada por este tema, o motivo que me leva a gosta muito de TAN é que no Brasil o diagnóstico foi tardio, hoje em dia estamos caminhando para um diagnóstico precoce, e eu faço parte desses profissionais que trabalham nessa área. Segue abaixo uma leitura minha, que foi a introdução do meu trabalho de pós graduação em PEATE X TAN. Boa leitura:


A audição é essencial para o desenvolvimento normal da linguagem, fala, aspectos cognitivos e educacionais. Os primeiros anos de vida são críticos para o desenvolvimento das habilidades auditivas e de linguagem; e em especial, o primeiro ano de vida quando ocorre a maturação do sistema nervoso auditivo central por meio da experienciação.
Avanços recentes na neurociência cognitiva demonstraram a existência da plasticidade funcional do sistema nervoso central, a existência de períodos críticos e a possibilidade de fortalecimento das ligações sinápticas pós experienciação nestes períodos. (Chermak & Musiek, 1997);
Tanto a plasticidade quanto à maturação são, em parte, dependentes da estimulação, visto que a experienciação auditiva ativa reforça vias neurais específicas. (Chermak & Musiek, 1997).
Por isso, é muito importante avaliar como o sistema auditivo de uma criança recebe, analisa e organiza as informações acústicas do ambiente.
Prestar atenção, detectar, discriminar e localizar sons, memorizar e integrar as experiências auditivas – reconhecimento e a compreensão da fala.
Estudo realizado nos Estados Unidos por Yoshinaga-Itano et al.(1998) verificou que crianças deficientes auditivas podem desenvolver habilidades de fala e linguagem similares às crianças ouvintes normais, se estas forem adaptadas com prótese auditiva antes dos 6 meses de idade.



 Portanto, a identificação da perda auditiva e intervenção adequada, com adaptação de prótese auditiva, orientação familiar e terapia fonoaudiológica deveria ser realizada no primeiro semestre de vida. Um grande consenso mundial é que o diagnóstico deverá ser realizado antes dos três meses de vida, para uma intervenção apropriada até os seis meses de vida.


Nos últimos anos, na tentativa de diminuir a idade média do diagnóstico auditivo na infância a triagem auditiva universal (TANU) passou a ser recomendada, por métodos fisiológicos: Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico(PEATE) e Emissões Otoacústicas(EOA), na alta hospitalar, de forma a permitir a identificação da perda auditiva antes dos três meses de idade e a intervenção clínico-educacional até seis meses de idade.
Com o desenvolvimento tecnológico, os estudos em relação à audição evoluíram imensamente possibilitando cada vez mais um diagnóstico precoce e preciso da deficiência auditiva, formando uma ferramenta essencial de avaliação, diagnóstico e formas de tratamentos.
Pesquisas de avaliação do sistema auditivo central e suas correlações com outras áreas corticais como o processamento neurológico da informação auditiva são largamente pesquisados, e nesse campo incluí-se o Brainstein Evoked Response Audiometry (BERA), também chamado no Brasil de Potencial auditivo evocado de tronco encefálico (PEATE) entre outros.
Os potenciais evocados auditivos PEA ou BERA são exames objetivos que auxiliam na avaliação do sistema auditivo periférico e central.
O PEATE foi descrito por JEWETT e WILLINSTON em 1971 (Carvallo, 2003). Segundo Santos e Russo (2005) é um exame objetivo que avalia a atividade bio-elétrica na via auditiva, do nervo auditivo ao córtex cerebral, em resposta a um estímulo acústico.

Os potenciais auditivos de troco cerebral precoce são os mais utilizados devido sua reprodutibilidade e propriedades de localização, e ocorrem de 0 a 10 milessegundos(ms) após a estimulação acústica (CARVALLO, 2003).
            Segundo Hall (1992 apud Carvallo, 2003), o desenvolvimento do sistema auditivo pode ser dividido em duas fases de maturação neurológica: A primeira fase ocorre na vida intra-uterina, encerrando-se por volta do sexto mês de gestação quando incide a maturação das vias auditivas periféricas e a segunda fase inicia-se após o nascimento e se completa por volta dos 18 meses de idade, quando ocorre a maturação das vias auditivas ao longo do sistema nervoso central (SNC).
            A maturação deverá ser levada em consideração para a interpretação dos resultados do PEATE em neonatos e lactentes, pois a mielinização da via auditiva influenciará sobre as latências, amplitudes e formas das ondas, sofrendo mudanças decorrente da idade cronológica. (CARVALLO,2003).
  Este trabalho foi realizado em conjunto com a Profa. Ana Cristina Hoshino e encontra-se na biblioteca da Universidade Estácio de Sá, ano 2008.

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